Previsibilidade e as Dominators

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Previsibilidade. Instrumento pelo qual o ser humano almeja possuir, ou pelo menos tenta utilizar constantemente. A sociedade se vê dentro de uma conjuntura onde o estabelecimento de um caminho a ser trilhado – escolher, desde o ensino médio, o curso a ser feito no ensino superior, por exemplo – se faz necessário. Seria uma forma de dominação perfeita sobre a natureza. Sobre o mundo em que fazemos questão de esmagar insetos, de nos impor, de destruí-lo e/ou moldá-lo a nosso prazer por meio de previsões das consequências que advêm das nossas escolhas. No entanto, há uma questão a ser pensada: é realmente possível prever o futuro?

Dentro do mundo anime, Psycho-Pass apresenta-se fortemente como um ótimo objeto de deliberação. Em síntese: um mundo futurístico onde todos conseguem definir suas vidas através de um sistema operacional, supostamente com inteligência artificial, conhecido como Sibyl. Qual a sensação em saber que as suas características seriam melhor aplicadas em determinada profissão? Saber que tipo de alimento se deve ingerir, em razão da quantidade de caloria necessária para o dia? Personagens do drama, como Akane,  aceitam a existência desse tipo de vida e não veem outra forma de se situarem no mundo. Tudo, nesse contexto, é previsível assim como a criminalidade. Esta última é avaliada analisando o nível de “estresse” individual, que diz quem deve ser preso/reabilitado e quem deve ser morto.

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O papel de um sistema operacional como Sibyl, onde se seleciona aqueles que devem ser imputados, ou não, por uma força coativa, não se difere muito do sistema penal vigente no paradigma brasileiro. Sim, há uma seletividade preestabelecida. Os agentes não portam armas embutidas com scanners (Dominator), por onde Sibyl age, capazes de analisar o perfil do suspeito, onde há opção de se neutralizar o alvo. O próprio agente é o scanner. Ele realiza o que lhe fora designado desde seu ingresso na instituição: prender indivíduos que estão maculando a ordem vigente. Do mesmo modo, é a posição adotada quando se deve, ou não, prosseguir com o inquérito policial e/ou ação penal, dependendo da lente para quem se aponta.

Vivemos em uma sociedade que se diz em desenvolvimento. Porém, é uma sociedade que implanta um sistema que não é perfeito e age para se parecer como um sistema eficiente. Esta eficiência é vista como a arte punitiva em ação. Estabelece-se uma ideia, não de uma igualdade, mas uma legitimação da desigualdade. Assim como em Psycho-Pass, muitos argumentam que aquele suposto meliante/deliquente/trombadinha deve ir a prisão e manter-se lá, ou, quem sabe, ocorrer o extermínio de todos que se encaixam nesse modelo. Motivo? Uns afirmam uma suposta recuperação, outros dizem que não há lugar para eles no mundo. A questão da segurança, da ordem, em primeiro lugar. Uma segurança em que o importante, pelo visto, é que: a determinados sujeitos há uma aplicação penal, a determinados sujeitos imponhamos a lente de Sibyl.

Trata-se então de garantir, de fato, uma ordem em um determinado recorte. Uma ordem que está focada na questão de previsibilidade do crime, uma vez que aqueles potenciais criminosos estão sujeitos aos olhos de suspeição de forma constante. Seria, assim, a capacidade de manuseamento, bastante complexa, do espaço e de condutas para se seguir a determinado ponto no futuro, ou seja, um futuro que é criado e não dado.

Isso Que É Festa!

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“Está parecendo um carnaval”.

Sim, uma expressão, dentre outras, que passou pela minha cabeça no final da manifestação. Engraçado foi justamente um grupo de indivíduos proferir o mesmo pensamento, mas colocando em um contexto de diversão. Diversão!!! Não quero falar mal de todo o movimento que ocorreu ontem em Brasília. Sim, de fato, ocorreram tantos atos de verter lágrimas de felicidade, bem como verter lágrimas interioranas de tristeza e biológicas (em razão do gás). Mas, achei necessário fazer levantamentos pessoais sobre o que está acontecendo. Não vou entrar muito em uma forma de resumo do contexto social que passa no Brasil desde a semana passada. Focarei apenas na quinta-feira, 20 de junho, em Brasília. Até porque pretendo ser breve na exposição.

Sem muito mimimi, estou, junto a diversas pessoas queridas, me dirigindo a tão esperada manifestação que ocorrirendoria (ler O Restaurante no Fim do Universo). Pessoas já se encontravam lá, outras estavam chegando e, em um momento posterior, haviam aquelas só apareceriam já no estágio que considero banalizado. Assim como outras manifestações, não tinha, em nenhum momento, uma pauta específica. Fui lá com o desejo de repudiar a criminalização dos movimentos sociais (mais em relação ao apoio ao MTST e o B&D) bem como a tentativas futuras de considerar terrorismo esses movimentos durante a Copa… caso tenha uma. Olho para direita e vejo aqueles que se dedicam a causa LGBT. Olho para trás e vejo alguns com intuito de reclamar da Copa e o “investimento” desnecessário. A minha frente estavam aqueles indignados com o transporte público. Senti um pouco de desorientação. Mas, me acostumei e me sensibilizei em ver todos se mobilizando a favor de seus ideais. A felicidade maior foi chegar no gramado do Congresso e ver um grupo de indígenas levantando cartazes, lutando por seus direitos. Uma miscelânea de grupos, objetivos, pensamentos. Ou seja, bem como tem sido divulgado na internet, não havia de certo um foco muito bem estabelecido. Existia ali uma nuvem não muito clara, pois tinha formato de coelho, de dragão, ou de Goku. O importante é que tinha um formato de alguma coisa!

Agora a parte triste. Depois de um momento, não lembro muito bem o horário, essa mesma nuvem foi perdendo os contornos. Suas linhas foram sumindo, dando espaço para alguma coisa não muito concreta. Sabe aquela nuvem que você olha e não consegue ver um aspecto de nuvem? Que parece mais uns fiapos e não um algodão doce? Pois, foi exatamente isso que aconteceu. As diversas vozes que estava presenciando tornaram-se somente uma. Uma voz sem contorno. Presenciei apenas uma manifestação sem muito sentido. Veja, não quero generalizar para todos os indivíduos, mas de onde estava as outras vozes foram silenciadas. Escutava, na maioria das vezes, a mesma porcaria que os políticos falam: “mais saúde e educação”, “vamos acabar com a corrupção”. Na minha opinião, a utilização dessas expressões ficou como um xingamento entre amigos, ou falar que ama alguém só para ser fofo… ou seja, algo bastante sem conteúdo, um vazio. Não bastassem os gritos, tinha que observar cartazes com a única intenção de zuar (porque a zuera never ends certo?). Cadê aquelas vozes que tinha escutado no começo? Acho que estava em um lugar errado na manifestação…

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Essa transformação do plural, do diferente, para o uno, o igual, deu margem para, em diversos momentos históricos e até mesmo literários “fictícios”, apoio a verdadeiros golpes contra o que se queria na verdade: democracia (palco de conflito de interesses; não aceitação de uma única vontade). Cheguei a ler em outros blogs onde os escritores faziam um paralelismo com as ditaduras passadas. Estão mais do que certos! Por que pedir a todos usarem branco na segunda, por exemplo? Assistiram o filme A Onda e acharam legal por acaso? (fugi um pouco do contexto). Enfim, essa (não) delimitação do vazio faz com que eu fique com o pé atrás. Foi assim uma das sensações no momento.

Outra coisa que me deixou muito aperreado. Não posso dizer triste, pois foi uma confusão de sentimentos. Estava com raiva, confuso, pessimista. Um aglomerado de coisas nada boas, diga-se de passagem. Quando não suportava mais esse vazio, essa perda de um objetivo bem definido, fui em direção ao carro (por sinal estava bem perto do Congresso… lá no Museu da República). Na caminhada refletia sobre o que estava acontecendo e reparei na mesma massa de indivíduos caminhando em direção a lugar nenhum. Estavam ali, jogados no meio-fio, bebendo cerveja, conversando… Esse foi o meu maior DAFUQ que já vi. Não parecia nada mais nada menos que um carnaval. Sim, carnaval! Com direito a comida e bebidas no caminho. Li o comentário de alguém no facebook que parecia uma festa junina… acho que é mais cabível isso.

Estava ocorrendo até uma festa gratuita no museu (acredito que já estava estipulada) e as pessoas saíam do movimento para ir lá divertirem-se!!!! O que aconteceu ali? Fomos ou somos programados para fazer manifestação e depois curtir a noite em uma festa que ocorre ao lado, por assim dizer, da mesma manifestação? Isso só mostrou a a falta de compromisso que muitos dos que estavam ali possuíam. Ovelhas que procuram seguir ideias. O perigo de se seguir o deturpamento democrático e adotar pensamentos como a totura é algo legal, bem como a punição é o único meio de salvar/proteger a sociedade, como se 2 + 2 são 5…

A Liberdade Em Sua Modalidade (Não) Restritiva

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Logo após ler o livro Idade da Razão (Sartre), o primeiro de uma trilogia, fiquei pensando durante muito tempo sobre o termo liberdade. No auge de diversos movimentos sociais, onde o emprego do termo se encontra em voga, mergulhei em um estado um tanto distante para chegar ao resultado no final do post (opinião que cheguei a ter depois de ler o livro). Dessa vez não há spoiler =D.

Qual seria um sentido radical de liberdade? Fiz essa mesma pergunta ao meu irmão. A resposta que me apresentou, resumidamente, foi: não ser questionado por outra pessoa. Ter uma vida em que as ações praticadas não precisam ser mediadas por alguém ou “alguéns”. Exercer atos onde a presença de terceiros não interfiram na concretização. Mas, voltando a um caráter mais introspectivo, subjetivo em seu contexto moderno, como se deve observar a liberdade com uma lente individual?

Ser livre, em diversos momentos da história, sempre teve a presença de um outro indivíduo (escravidão, relação entre servo e senhor feudal, contrato de vínculo empregatício, entre outros). Ser livre é muito bem entendido como não existir obstáculos apresentados por terceiros para os desejos do ser humano. Não se pode, portanto, falar em liberdade quando há um vínculo de subordinação com alguma religião (cristianismo, islamismo, entre outras) ou  subordinação a valores sociais. Sejam estes impedimentos físicos, sejam estes impedimentos algo bem incorpóreo (exemplo da resposta do meu irmão). Ora, seria então fazer tudo o que a pessoa gostaria de fazer. Claro que essa lente ainda é predominante. Afinal, estamos em um contexto onde deixamos de ser entes muito subjetivos para abraçar o campo intersubjetivo.

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Divergindo da resposta dada no começo deste post, acredito que um sentido radical de liberdade vai mais além, ou diria mais interiorino. A liberdade, em seu sentido mais radical se apresenta como ser livre de si mesmo. É vista como a própria desvinculação de compromissos e responsabilidades consigo. A construção de uma vida feita pelo próprio indivíduo, onde cada detalhe é analisado, nada mais é que se submeter a própria vontade, ou seja, não há uma verdadeira ampla autonomia. Um viver por viver. Uma espécie de autonomia absoluta pode ser percebida no sentido de estar apenas existindo para si e agindo de acordo com a tomada repentina de escolhas.

Essa liberdade que possui uma ligação existencialista profunda com o ser humano, se vê dentro de um paradoxo. Se a liberdade verificada acima, a exemplo de Mathieu¹, pode ser adotada, a própria submissão ao princípio de se seguir esse estilo de vida apresenta-se como uma forma de limitação dela mesma. Desejar uma vida de liberdade, seria o mesmo que perder a liberdade absoluta idealizada. A imagem de tal liberdade não pode ser concretizada devido a sua inviabilidade em razão da contradição própria.

Para Sartre², assim como outros filósofos, ser livre é ter a capacidade de se concretizar no mundo e acolher as responsabilidades derivadas das ações, os resultados provocados. A presença de um Deus, uma hierarquia militar (sobre a banalidade do mal apresentada por Arendt), ou de uma sociedade que indiretamente nos coage, sempre cria um contexto em que procuramos passar certa responsabilidade para terceiro. A capacidade de nos moldar com o passar do tempo e adotarmos a posição de responsáveis pelos atos feitos, diferentemente, aborda melhor a atuação livre do ente humano. Pois, assim há evasão de uma autonomia absoluta e da intervenção de outro ente. No primeiro caso, porque o ser humano é capaz de selecionar suas próprias escolhas que são apresentadas pelo mundo conforme o progresso do tempo (não há uma antecipação de decisões sobre situações ainda inexistentes), assim se fala em uma aceitação de vínculos de responsabilidade para com as decisões. Necessária é a tomada de decisões, pelo fato do ser humano ser capaz de tal coisa, para que não ocorra o paradoxo. Em relação ao segundo, não é possível demonstrar justificações para tomada de ações ou a simples responsabilização de outro. Ao tomar todas as responsabilidades para si ao escolher decisões, a pessoa, e somente a ela, serão garantidos os resultados advindos da liberdade.

A liberdade possui mais um caráter restritivo, não amplo como muitos dizem. Restritivo por estar condicionado às escolhas feitas pelo particular, escolhas que devem ser desvinculadas de relações entre entes religiosos, instituições, entre outros. Está mais por escolhas realizadas pelo próprio indivíduo e que este deve se responsabilizar inteiramente pelo que faz. 

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¹ Personagem do livro que citei logo no começo (Idade da Razão). A história se passa em poucos dias e a própria discussão interna do personagem: em aceitar um estilo de vida que considera como a verdadeira liberdade ou se subordinar as consequências de suas ações, aceitar que existem compromissos com ele mesmo.

² Jean-Paul Sartre foi um filósofo francês representando a ala existencialista. Atuou na Segunda Guerra Mundial. Responsável pela criação de diversas obras, principalmente da trilogia Os Caminhos da Liberdade: Idade da Razão, Sursis e Com a Morte na Alma.

Sou rockeiro p***a!!! (mas gosto de outras músicas também)

Fatos e argumentos muito recentes me impressionaram. Cansei de ficar calado, agradeço a uma certa pessoa especial. Mas, a defesa sobre o que ocorreu em Calda Novas, na minha opinião, não pode ficar “ileso”. Não vou entrar em detalhes sobre o que aconteceu na cidade goiana. Muitos, com certeza, sabem o assunto: Caldas Country. Ondas de violência, negligência, sexo público em um evento que abalou, e muito, a vida de várias pessoas. Não deve ter abalado aquela pessoa que mora em Dubai. Abalou a vida de quase 70 mil pessoas. Pessoas estas que são moradoras da cidade de Caldas (vou abreviar). Talvez menos, porque algumas dessas 70 mil devem ter participado também.

Oras, não vejo um evento grande ser palco de pura inocência como se fosse o jardim da casa de um dos ursinhos carinhosos (pode escolher um aí… vocês devem se lembrar de algum). Eventos de grande porte sempre carregam consigo fatos marcantes. Até mesmo nos eventos de pequeno porte… já paguei 30 reais para ver coisas que veria em casa (caso vocês tenham entendido). Falar que em eventos de rock (em quase todos os gêneros), por exemplo, não possuem violência, ou outras formas desconfortáveis de presenciar, de assistir, é pura pagação de moralista. O próprio início do rock teve como base a rebeldia. Sim, movimentos rebeldes que eram contra a sociedade da década de 50/60/por aí vai. Mais que uma simples ferramenta de diversão, o estilo agradou muitas pessoas que queriam transformar o contexto social em que viviam. Esse questionamento se deu de diversas formas, talvez, até mesmo, semelhantes ao evento de Caldas. Conservadorismo/tradicionalismo persistiam muito forte (hoje ainda persiste, mas com o pólo antagônico bastante expressivo). O maior movimento que se tem conhecimento, baseando-se nessa contraposição à sociedade repressiva, é o próprio Woodstock. Um movimento que segue uma ideologia (senso comum do termo) de, como foi falado antes, transformação. Aqui, muita coisa aconteceu (oras… tinha sim uso de drogas, tinha sim sexo ao ar livre, entre outras coisas). Um outro aspecto, antes da comparação a ser feita ainda, é que estes eventos eram feitos em locais “fechados”. Pagava-se, porém não adentrava quem queria paticipar de pelo menos um dos elementos do “sexo, drogas e rock n’ roll”.

Mas o que isso tem haver com o Caldas? Como foi dito antes, a cidade tornou-se um caos durante o dito Caldas Country. Caos no sentido a la Woodstock. Porém, na pequena cidade goiana não existiu um movimento de transformação, não existiu uma privacidade para os atos praticados. O que se passava por lá, pelo menos de acordo com as notas enviadas ao Ministério Público, era um mundo totalmente desordenado. Pessoas excedem em certos momentos? Sim! Não podemos ser o que queremos ser na sociedade de hoje? Sim! As duas coisas se encontram, de certa forma, relacionadas. Acredito (não tenho nenhuma base psicológica aqui, se tiver estarei grato por confirmarem) que no tipo de sociedade de hoje (referindo especificamente à brasileira) pessoas só ficam acumulando suas inquietudes, suas vontades de abraçar o próximo, por exemplo. Acumulam porque são atitudes não muito “bem vistas”. Apertar a mão ou simples beijo “de lado” (sabe aqueles onde se encostam as bochechas?) é algo mais aceitável. Agora, liberar isso tudo de uma vez de forma como aconteceu em Caldas? Não!

Argumentos. Primeiro, porque não vejo o Caldas como evento de transformação. Qual o motivo das pessoas irem pra lá além de se excederem? “Poxa cara, vou atear fogo no meu carro, porque representa o rompimento com a alta sociedade…”, “Vamos fazer sexo em local público, porque deve servir como ato para protestar contra essa sociedade que ainda vê o sexo como algum tabu”. Segundo, o evento não foi “fechado”. Fechado no sentido de privado. Habitantes da cidade tiveram que conviver com as mais diversas situações. Pensei que o evento ocorresse somente a noite, mas, pelo que li e vi, percorreu o dia também. Pergunto se deveria deixar algum membro da família, por exemplo um filho, sair pela rua só para ir comprar algo no supermercado. Ou seja, apesar da cidade ser um foco turístico, a influência dos atos praticados por vários turistas afetou drasticamente a vida de muita gente. Sim, o Caldas Country deveria ser “fechado”, assim como muitos shows de rock. Onde violência, uso de drogas e obscenidades ocorrem como em qualquer outro local. Restritos para quem já tem um vida de shows/eventos. Meu irmão tem até razão por desgostar de ir a locais como esses (preferência dele).

Claro que isso não foi pura e simplesmente por ser uma festa grande. Afinal, eventos grandes como Rock in io, por exemplo, não tem muito caos como aconteceu em Caldas. Festa super hiper mega mal estruturada a que ocorreu em Caldas. Convenhamos… uma cidade, onde quase 70 mil pessoas habitam, acomodar 200 mil? Yes, I’m a great party organizer (tem um nome pra isso? sem desvalorizar, é porque desconheço mesmo). Não estou falando que esse tipo de coisa deve parar de ser feito. Como já falei, acontece em todo grande evento. Afinal, precisamos de momentos assim enquanto somos jovens… ou não (rever o lance do acúmulo)?

Agora, vim me dizer que estou reclamando só porque eu não fui ao evento… DAFUQ!!!! Eu não estive presente no Holocausto… aposto que muita gente se divertiu por lá. Sabe aquele incidente em Chernobil? Sequelas são legais para quem participou né não? Gostaria muito de ter nascido no início da década de 70 e ter viajado para o sul dos EUA. Sabe como é né… participar de uma época onde negros e brancos, ou seja indivíduos/pessoas, se davam muito bem! Não vou citar o carnaval que ocorre em certas cidades… Tenho meus gostos pessoais. Gosto sim de rock e suas várias vertentes. Já fiz muitas besteiras (menos usar drogas, além dos remédios que o médico receita). Acontecimentos que inteferem na vida de terceiros, não na minha, mas naquela onde o pai teve que, talvez, não deixar o filho sair para brincar no parquinho. Fatos como os que ocorreram me deixam desconfortável. Da mesma forma quando vou ao um show de rock e vejo gente usando drogas. Possibilidade do ato atingir pessoas fora do evento (quem sabe a família, a amizade, mas não terceiros desconhecidos que não se encontram na festa)?Uma chance muito remota. Afinal o mundo é movido por diversas possibilidades…

Sorry for the long post.

Valor Intrínseco da História

Sim, estou vivo. Não estava com muita coisa na cabeça para escrever, até que finalmente… trabalho da faculdade!!! =D (divirtam-se)

É característico do ser humano deixar uma marca, uma tradição, algo que represente, seja manuscritamente, seja artisticamente, o contexto de determinada época. Reportar ao passado é apresentar ao mundo atual, de certa forma, que aquele determinado hiato existiu de fato. Muito mais que um simples registro histórico, o passado permanece como um ente no tempo, presente na memória ou no corpo das pessoas de forma permanente. A História, portanto, adquire um valor.

Há uma valorização no sentido de que o ser humano procura sempre guardar para si, e proteger, fatos passados. Não pelo fato de querer acumular conhecimento, pois, constantemente, tentamos buscar saberes diversos. Dá-se um valor intrínseco, terminologia utilizada por Dworkin, pelo fato de que produções passadas foram feitas e representam o ente humano, algo que se situa inerente. Essa ideia de um valor intrínseco difere, e muito, no valor dado a simples coisas que valoramos individualmente. De acordo com o mesmo jurista:

“Uma coisa é intrinsecamente valiosa, ao contrário, se seu valor for independente daquilo que as pessoas apreciam, desejam ou necessitam, ou do que é bom para elas. A maioria de nós trata pelo menos alguns objetos ou acontecimentos como intrinsecamente valiosos nesse sentido: achamos que devemos admirá-los e protegê-los porque são importantes em si mesmos, e não se ou porque nós, ou outras pessoas, os desejamos ou apreciamos.” (DWORKIN, 2009, p. 99 – 100)

O passado, a história, possui esse valor intrínseco devido a uma inerência para com aqueles que já possuem algo a ser contado para os demais que hão de vir. Dworkin trabalha essa ideia do valor intrínseco ao classificar também a designação de um valor sagrado a tudo aquilo que demonstre ter já passado um determinado tempo. De fato, tal valorização sempre existiu mesmo com as dificuldades de se implementar um valor considerado absoluto advindo de um particular. No entanto, a relação assimétrica nós-outros, característica da sociedade humana, expressada radicalmente não permitiu uma preservação do passado de forma global.

Antigamente, dividia-se entre pertencentes a um determinado grupo e os outros, a exemplo do bárbaro e do romano. A ignorância daqueles em não preservar a cultura dos “excluídos” se dá devido ao contexto da época. Essa relação assimétrica resultou na manutenção de apenas uma cultura, uma história: a do vencedor. Ou seja, desconsideravam, radicalmente, a história do outro pelo fato deste não ter produzido algo condizente com o que o outro grupo produzia ou viria a produzir. Diferenças na construção que geraram a formação de indivíduos “diferentes”. Ondas de extermínio, portanto, advieram em determinados episódios: guerras médicas, colonialismo, entre outros. O outro era, ou ainda é em certos casos, visto como um ser não humano, possibilitando, assim, a fácil destruição dos traços de uma sociedade “diferente”.

Com avanço nos direitos humanos e o novo contexto que vem prevalecendo na relação globalizada entre sociedades, procura se estabelecer uma preservação do passado para todos. Essa generalização chega a causar um certo medo de perder uma individualidade, uma história própria. Com o avanço do contexto da globalização, essa unicidade vai perdendo um pouco o foco. Contudo, o mais importante, é garantir que as antigas produções humanas não se percam. Garantir a historicidade do ser humano e não de um particular.

Um exemplo de que está inerente ao ser humano essa valoração da história em seu aspecto global: a própria preservação da arte. Rodeada de pessoas com pensamentos diferentes, particularidades, a obra de arte, é posta como uma figura em um pedestal. Uma obra de Picasso, mesmo os que não apreciam a arte do espanhol, é valorizada a ponto de que, gostando ou não, deve-se preservá-la. Não se restringindo a somente um campo específico, pois obras literárias, que representam o contexto de uma época ou criticam a mesma, música, até mesmo animais em extinção também ganham essa valorização de ser algo sagrado. Fazem parte da construção humana.

Deixar lacunas na história humana torna-se, portanto, algo comparado a profanar um túmulo de um familiar. Reparar que aqui apresenta uma imposição de uma lacuna. Muito diferente das causas naturais onde os vazios deixados se dão devido a fatores espaços-temporais, longe da artificialidade humana, ou a falta dessa. O ser humano, por mais paradoxo que possa parecer, é capaz de criar, ou permitir com que se deixe, lacunas.

Em diversas situações, o ser humano faz com que fatos históricos não sejam totalmente contemplados pelas gerações futuras. Tal descaso com a história, com as pessoas em si, provoca severas sequelas no mundo contemporâneo. Marcas que não se cicatrizam vão sendo deixadas abertas de forma que atinge aqueles que tiveram um maior vínculo com o fato, o acontecimento, determinado. Não só fere os indivíduos internamente como permite a realização de várias alterações mundanas no plano material.

Somos Todos Loucos… O Que? Quem? Eu Não Gostaria

Com uma baita dor de cabeça, vou escrever com certa lógica. Não só por me atrapalhar um pouco, mas sim porque estou fascinado pelo que presenciei recentemente e vai ser um pouco difícil me expressar. Ah sim… spoiler.

Neste final de semana assisti (novamente), depois de muito tempo, Alice no País das Maravilhas, de “Lewis Carroll” (Charles L. Dogson). Com certeza, a diferença de ver uma animação como essa quando criança e ver novamente agora é algo enorme. Não tinha antes reparado na dita “loucura” apresentada lá. Na minha opinião, quase tudo, claro que não tudo, tinha uma lógica. Diversas lições podem ser observadas lá. O livro foi uma mescla de assuntos tanto com conteúdo infantil, como feito para adultos. Mas, o que mais me chamou atenção foi a criação do mundo totalmente diferente do que vivemos. Quem poderia imaginar que adveio da mente de uma criança (claro que de acordo com a animação)?

Impulsionada pela curiosidade, como toda criança é, a personagem parte em uma aventura muito surreal. Tá… “todo mundo” conhece a história do coelho branco, do gato, da rainha. Enfim, um mundo semelhante ao nosso, mas não segue as mesmas “regras”. Uma criação individual, própria da Alice. Um lugar onde, para ela fazia sentido… pelo menos deveria fazer não é? O mundo criado pela Alice é o mundo dela. Oras isso não tem como duvidarmos. Porém, ela mesma estava perdida. Não sabia como se situar em um mundo que ela mesma deseja logo no começo do filme.

Sim, mesmo sendo algo da cabeça dela, simplesmente procura manter-se na posição de ente mundano, esse nosso mundo. Aqueles que se situam no País das Maravilhas acham normal um gato falar, um chapeleiro comemorar 364 desaniversários por ano, etc. A difícil aceitação da Alice do lugar em que se aventura, evidencia uma trágica repulsa de sua própria liberdade de pensar. Ela tem a capacidade, mas mesmo assim, ela considera louco aquele que pensa de uma forma diferente. Um pensar diferente = pensar que nem ela e apresentar ao mundo o que se passa na cabeça.

A imagem da irmã, tanto no começo como no fim, demonstra essa imposição de uma conduta aceitável. Uma conduta que ela precisa seguir, porque não quer ser considerada uma louca. Estranho ver que o mundo dela ensinou coisas que somente ela aprendeu (a irmã se surpreende quando Alice conta certos momentos de quando dormia, porém aquela logo ignora e prefere tomar um chá) a partir de uma lógica, não diria infantil, simples. Acham que o filme não tem lógica e se trata de puro uso de cogumelos e chás estranhos, não é?

Em diversas ocasiões, as perguntas que Alice faz (ótima forma de se conhecer: questionar o mundo) possuem respostas simples. O melhor exemplo que posso apresentar é o encontro entre ela e o Gato de Cheshire. A garota questiona em que direção deve seguir, o Gato simplesmente pergunta o motivo. Sem apresentar um motivo, ele disse que não valia a pena se não sabe o que quer (claro que não somos videntes, mas com o tempo podemos ir definindo os nossos caminhos… como o Gato irá corrigir logo em seguida no livro). Digam-me se essa passagem não tem uma lógica? Outra lógica simples é aquela apresentada pelo chapeleiro: você só faz um aniversário por ano, então nos outros dias são desaniversários. Nem por isso você deve deixar de comemorar (claro que não com bolos e presentes… haja dinheiro) os outros dias como se não fossem especiais.

Tentei apresentar algo aqui sobre animação. Com certeza dá para tirar mais coisas de lá. Interpretações minhas, claro. Só não gosto que abordem o filme como algo totalmente fora do âmbito do compreensível. É a mente de uma criança. Uma criança que gosta de sonhar, questionar e é movida pela curiosidade. Este último aspecto é o mais importante, porque se não fosse a vontade de perseguir o coelho e de adentrar a toca, que tipo de aventuras Alice teria vivido dentro de sua mente? Quais os tipos de questionamentos poderiam ser realizados no nosso mundo ao comparar com aquele outro?

Oi Pessoar? Oi! Oi Pessoar!? Oi Oi Oi…

Da grande diversidade cultural que o Brasil apresenta, gosto muito do que o Nordeste oferece. Claro que não o estou valorizando como a melhor região, mas é uma ótima região apesar dos problemas e da ignorância das pessoas de outras regiões para com os nordestinos. Não pretendo desenvolver um post sobre a região toda em si, pois vai dar trabalho (adoto a ideologia do Shikamaru, muitas vezes…).

Falar sobre o grande evento que é comemorado por lá (e por todas as outras regiões brasileiras)! Estamos no mês das ditas festas juninas (há locais que se comemoram festas “julinas”… não sei se por falta de tempo, ou simplesmente porque é período de férias). Bem, essas festas são também chamadas de festas de São João, em homenagem ao santo. Originalmente, a festa adveio da Europa… veio de lá, mas não são tão boas quanto as realizadas aqui =D. Muitas influências são encontradas: a dança europeia, a comida (sim a comida típica que todos gostam) indígena/africana, fogos da China… enfim, é uma convergência de aspectos nacionais e estrangeiros.

O que mais me agrada (muito difícil escolher) é a quadrilha! Beleza e atuação cômica dos participantes me anima muito. Claro que as danças apresentadas atualmente são muito diferentes das que ocorriam em épocas passadas (não se vê mais um mesmo ritmo europeu e sim algo próprio brasileiro). Um espetáculo onde a representação de um nordeste caipira e o casamento da roça é, com certeza, motivo de muita alegria… não pelo jeito engraçado como é representado, mas pela sensação que é transmitida pelos dançarinos que se divertem (sim… quando danço quadrilha eu fico feliz, acredito que isso é o mesmo com o pessoal que faz parte de grupos de quadrilha).

Claro que a festa não se restringe à quadrilha. Várias atividades e tradições podem ser encontradas: brincadeiras (boca do palhaço, pescaria…), comidas variadas (canjica, bolo de milho, paçoca, pé-de-moleque…), a fogueira, sem contar o forró para aqueles que gostam de dançar (combinar de sair para dançar aew galera). Não tem como não gostar de um evento desses😄. Na minha opinião, é muito, mas muito melhor que o carnaval (até porque o carnaval está muito desvirtuado… não vejo só diversão nos últimos anos; ou vai ver sempre foi assim, mas quando criança não tinha uma visão da festa como tenho hoje). Engraçado que é uma festa bem religiosa, embora muitos só vão para comer e se divertir. Comemora-se não só um santo, mas os três santos do mês de junho (Santo Antônio, vulgo o santo casamenteiro, São Pedro e São João Batista). Chegando a ter diversas simpatias… muitas delas relacionadas a namoro ou casamento.

Curiosidade. Na minha cidade natal é comemorado essa festa com muito estilo. Sim, não é uma festa qualquer… é a maior festa de São João do mundo (não sei se posso dizer “a melhor”… mas que é a maior é). Campina Grande é palco de festejo durante um… mês… inteiro… sim, 30 dias de festa. Não estou brincando, a cidade inteira se mobiliza para realizar a festa. Para quem gosta de cultura brasileira, uma cidade perto do litoral (1h e alguma coisa de viagem)… divirtam-se indo para lá ^^.