O Encobrimento do Outro (Dussel)
O texto de Dussel apresenta algo muito incomum entre vários historiadores que estudam os séculos passados, principalmente no contexto de colonização. O autor utiliza, assim como Dee (Alexander) Brown em seu livro Enterrem Meu Coração na Curva do Rio, a lente do indígena para apresentar a versão deste em relação à chegada dos espanhóis. De fato, é uma visão muito pouco conhecida, pois somos indivíduos cujos pensamentos se encontram imersos sob um contexto colonizador. Fora de um ambiente acadêmico, nos são passados informações que, como Dussel afirma, ocultam certos fatos.
Outro aspecto importante abordado no livro é a desmistificação da Europa como o “centro universal”. Não podemos duvidar que toda a atenção foi desviada para as Grandes Navegações no século XV. Situações no Oriente Médio, por exemplo, são totalmente omissos nos livros ocidentais excetuando a religião muçulmana. A Europa desempenha o papel “principal” durante muito tempo, porém, de forma recente, acaba por adquirir um papel secundário. A partir da metade do século XX, os Estados Unidos tornam-se o “verdadeiro protagonista” da história mundial. Hoje, estes se afirmam como, no mínimo, uma potência que pode realizar as mais diversas ações, como os espanhóis realizaram sobre o Novo Mundo. Uma das ações pode ser exemplificada com o próprio assassinato de Osama Bin Laden e o discurso de Barack Obama: “Mas hoje, estamos mais uma vez lembrando que a América pode fazer o que colocamos em nossa mente. Essa é a história da nossa história, se é a busca da prosperidade para nosso povo, ou a luta pela igualdade de todos os nossos cidadãos, nosso compromisso de defender os nossos valores no exterior e os nossos sacrifícios para tornar o mundo um lugar mais seguro.”



